O NOVO ANO

O que esperar de 2018? O cenário arquivístico brasileiro nunca esteve tão sombrio…

 

No comando do Arquivo Nacional, depois da desastrada passagem de José Ricardo Marques, hoje condenado pela prática de atos de improbidade administrativa, temos agora outro fruto de barganha política: Carolina Chaves de Azevedo, cuja mãe trabalha no gabinete da deputada Cristiane Brasil, recém-nomeada (mas não empossada) ministra do Trabalho. Vale a pena conferir a matéria publicada no jornal O Globo, para tentar entender os mecanismos do toma-lá-dá-cá que vêm sendo adotados:

https://oglobo.globo.com/brasil/dinheiro-que-paga-divida-trabalhista-de-cristiane-brasil-sai-de-conta-de-funcionaria-22261290#ixzz55PQxA1uW

O Arquivo do Estado de São Paulo também tem sido alvo de barganhas similares. Um andar inteiro e metade de outro de seu edifício abrigam hoje, em lugar de documentos, a Corregedoria Geral de Administração e a Ouvidoria do Estado de São Paulo. É bom lembrar, além disso, que o Arquivo foi transformado em valhacouto desde 2016, quando Fernando Padula Novaes, apesar de estar na mira da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, assumiu o cargo de coordenador. A situação é bem mais grave agora; tornou-se indiciado no processo que apura a corrupção ligada à merenda escolar. Recente matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo dá mais detalhes sobre o fato, oferecendo, inclusive, cópia integral da denúncia:

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ex-chefe-de-gabinete-da-educacao-de-alckmin-e-denunciado-por-fraude-na-merenda/

A recente extinção dos cargos de arquivista e técnico de/em arquivo na administração pública federal, por força do decreto n. 9.262, de 9 de janeiro do corrente, é sinal de que não se reconhece a importância desses profissionais. O argumento financeiro não justifica tal medida. O mesmo poderíamos falar sobre o CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, ao dispensar Dulce Pandolfi e Luciana Heymann sob a alegação de economia: demitir Luciana Heymann, por exemplo, às vésperas de um pedido de demissão em razão de seu ingresso na Fiocruz, onde foi aprovada por concurso, seria bom negócio para a FGV?

Este ano será, sem dúvida, de muita luta. Devemos ficar atentos aos favorecimentos espúrios e às iniciativas que atendem a determinados interesses, como os das empresas de digitalização. Os arquivos não podem mais se prestar a acordos políticos de conveniência, sendo nosso dever denunciá-los e combatê-los. Nossa área precisa ser fortalecida e dignificada: ignorar a missão dos arquivos e desvalorizar os profissionais que deles se ocupam é, afinal, um desserviço à sociedade, à democracia e à história.

 

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