MARILENA LEITE PAES

A Arquivologia brasileira acaba de perder um dos mais qualificados esteios da sua consolidação como campo de formação, ensino, pesquisa e atuação profissional. Ao longo de toda uma vida dedicada aos arquivos, Marilena Leite Paes tornou-se referência obrigatória para todos aqueles que trabalham na área. Qualquer coisa que se possa dizer a respeito dela, nesse momento, estará sempre aquém de uma real apreciação de seu legado.

À frente dos serviços de documentação da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, de 1955 a 1993, ali implantou um sistema de arquivos que se tornou modelo para instituições congêneres. Tal experiência resultou em intensa atividade didática, lastreada inicialmente pela apostila O papel da arquivística na documentação, de 1969, e mais tarde no manual Arquivo: teoria e prática, de 1986, que conheceu sucessivas edições.

Foi notória sua participação no I Congresso Brasileiro de Arquivologia, realizado no Rio de Janeiro em 1972, ocasião em que ministrou curso introdutório para um significativo público de interessados. Segundo Heloísa Liberalli Bellotto, era a primeira vez em que muitos dos que atuavam na área como voluntários, auxiliares, estagiários, pesquisadores ou técnicos tinham diante de si uma apresentação realmente didática, lógica, clara e ordenada da teoria, da metodologia e da prática arquivísticas; e tudo isso “demonstrado na forma direta, simples, alegre e descomplicada própria da personalidade da nossa Marilena”.  

Além das atividades exercidas junto à Associação dos Arquivistas Brasileiros, que ajudou a fundar em 1971, e ao Conselho Nacional de Arquivos, que coordenou de 1994 a 2011, Marilena Leite Paes prestou consultoria ao Arquivo do Estado de São Paulo na década de 1980. Juntamente com Helena Corrêa Machado, foi responsável pela implantação do SAESP – Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo, cujo primeiro fruto foi a publicação, em 1987, do Diagnóstico da situação dos arquivos do governo do Estado de São Paulo. 

Aliando-se aos familiares e amigos de Marilena Leite Paes, a Associação de Arquivistas de São Paulo – que teve a honra de tê-la como sócia fundadora e de publicar, em 2005, Gestão de documentos de arquivo, texto que escreveu para inaugurar a série Instrumenta) – não poderia deixar de reverenciar seu nome e de lamentar o ocorrido. Sentiremos saudades de seu espírito jovial, do otimismo com que enfrentava as adversidades e, acima de tudo, da ética  que sempre caracterizou sua conduta profissional.   

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