Convite Paletsra_Março

[Palestra] Preservação digital: caminhos possíveis a partir da experiência da Pinacoteca do Estado

O Arquivo Geral da USP e a ARQ-SP convidam

Palestras do Arquivo Geral da USP

PRESERVAÇÃO DIGITAL:

CAMINHOS POSSÍVEIS A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DA PINACOTECA DO ESTADO

com Isabel Ayres Maringelli e Charlley Luz

 

A atividade abordará, por meio de exemplos práticos, o processo de definição de políticas de preservação digital, como a que foi elaborada para a Pinacoteca de São Paulo. Traz, ainda, metodologia de elaboração de políticas de preservação.

Conheça os palestrantes:

Isabel Ayres Maringelli é mestre em Ciência da Informação pela USP (2016), Especialista em “Bens Culturais: Economia e Gestão” pela FGV (2009). É bibliotecária, formada pela FESP-SP (1993). Coordena a Biblioteca Walter Wey e o Centro de Documentação e Memória da Pinacoteca de São Paulo e leciona no curso de Graduação de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESP-SP.

Charlley Luz é arquivista formado pela UFRGS (2006), especialista em Gestão de Sistemas e Serviços de Informação (FESP-SP) e mestre em Ciência da Informação pela USP (2016). É sócio-fundador da Feed Consultoria e leciona no curso de pós-graduação em Gestão Arquivística da FESP-SP.

Quando? 8 de março de 2018, às 14 horas.

Onde? Auditório Safra da Biblioteca da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP). Av. Professor Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, São Paulo-SP. Clique aqui para ver como chegar! 

Quanto? Grátis!

Vagas esgotadas

Clique aqui para fazer a sua inscrição

Atenção: Esta é uma atividade gratuita e as vagas são limitadas. Evite fazer sua inscrição se não estiver seguro de seu interesse ou se não tiver certeza de que terá condições de comparecer. Assim você contribui para que outros interessados não fiquem sem vaga! 😉

Será conferido certificado aos participantes

O NOVO ANO

O que esperar de 2018? O cenário arquivístico brasileiro nunca esteve tão sombrio…

 

No comando do Arquivo Nacional, depois da desastrada passagem de José Ricardo Marques, hoje condenado pela prática de atos de improbidade administrativa, temos agora outro fruto de barganha política: Carolina Chaves de Azevedo, cuja mãe trabalha no gabinete da deputada Cristiane Brasil, recém-nomeada (mas não empossada) ministra do Trabalho. Vale a pena conferir a matéria publicada no jornal O Globo, para tentar entender os mecanismos do toma-lá-dá-cá que vêm sendo adotados:

https://oglobo.globo.com/brasil/dinheiro-que-paga-divida-trabalhista-de-cristiane-brasil-sai-de-conta-de-funcionaria-22261290#ixzz55PQxA1uW

O Arquivo do Estado de São Paulo também tem sido alvo de barganhas similares. Um andar inteiro e metade de outro de seu edifício abrigam hoje, em lugar de documentos, a Corregedoria Geral de Administração e a Ouvidoria do Estado de São Paulo. É bom lembrar, além disso, que o Arquivo foi transformado em valhacouto desde 2016, quando Fernando Padula Novaes, apesar de estar na mira da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, assumiu o cargo de coordenador. A situação é bem mais grave agora; tornou-se indiciado no processo que apura a corrupção ligada à merenda escolar. Recente matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo dá mais detalhes sobre o fato, oferecendo, inclusive, cópia integral da denúncia:

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ex-chefe-de-gabinete-da-educacao-de-alckmin-e-denunciado-por-fraude-na-merenda/

A recente extinção dos cargos de arquivista e técnico de/em arquivo na administração pública federal, por força do decreto n. 9.262, de 9 de janeiro do corrente, é sinal de que não se reconhece a importância desses profissionais. O argumento financeiro não justifica tal medida. O mesmo poderíamos falar sobre o CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, ao dispensar Dulce Pandolfi e Luciana Heymann sob a alegação de economia: demitir Luciana Heymann, por exemplo, às vésperas de um pedido de demissão em razão de seu ingresso na Fiocruz, onde foi aprovada por concurso, seria bom negócio para a FGV?

Este ano será, sem dúvida, de muita luta. Devemos ficar atentos aos favorecimentos espúrios e às iniciativas que atendem a determinados interesses, como os das empresas de digitalização. Os arquivos não podem mais se prestar a acordos políticos de conveniência, sendo nosso dever denunciá-los e combatê-los. Nossa área precisa ser fortalecida e dignificada: ignorar a missão dos arquivos e desvalorizar os profissionais que deles se ocupam é, afinal, um desserviço à sociedade, à democracia e à história.

 

A DIRETORIA

 

[Palestra] Um resgate do serviço de documentação da USP e outras histórias

O Arquivo Geral da USP e a ARQ-SP convidam

Palestras do Arquivo Geral da USP

Um resgate do serviço de documentação da USP e outras histórias 

com Johanna W. Smit

Resgate – a partir de documentos arquivísticos – das idas e vindas da constituição de um serviço de documentação que tinha, dentre suas atribuições, a produção de microfilmes e documentos audiovisuais como suporte ao ensino e à pesquisa. Esta história atravessa outra, a saber: a constituição do curso de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP, com ênfase em duas personalidades essenciais para seu desenlace: Maria Luíza Monteiro da Cunha e Guelfo Oscar Oswaldo Campiglia.

Sobre a palestrante: Johanna Smit é graduada em Biblioteconomia pela ECA/USP, com mestrado e doutorado obtidos na França. Foi docente do Departamento de Informação e Cultura da ECA/USP (anteriormente denominado Departamento de Biblioteconomia e Documentação) entre 1981 e 2015, tendo atuado tanto na graduação e pós-graduação, e também na área administrativa da Universidade, ao coordenar várias avaliações da área de Ciência da Informação na CAPES e ao dirigir o Arquivo Geral da USP entre 2005 e 2013, quando se aposentou.

Quando: 30 de novembro de 2017, às 10h.

Onde: Arquivo Geral da USP. R. Francisco dos Santos, 107, Cidade Universitária, São Paulo, SP (travessa da Av. Prof. Lineu Prestes, altura do Instituto de Ciências Biomédicas ICB-4).

Quanto: grátis

Para fazer a sua inscrição, clique aqui e preencha o formulário 

Vagas limitadas

Será conferido certificado aos participantes

Banner - II Encontro

II Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas”

II Encontro

ARQUIVOS PESSOAIS: EXPERIÊNCIAS, REFLEXÕES, PERSPECTIVAS

São Paulo, 7 e 8 de dezembro

A Associação de Arquivistas de São Paulo convida profissionais de arquivo, estudantes e pesquisadores da Arquivologia e de áreas afins para dois dias de troca de ideias e experiências sobre os dilemas e desafios proporcionados pelos arquivos pessoais, nos planos da teoria e da prática.

Clique aqui para conhecer o programa completo e fazer a sua inscrição!

 

Vagas limitadas!

Convite_AG_Novembro

[Palestra] Arquivo Histórico Wanda Svevo: desafios para o tratamento de um arquivo de arte

O Arquivo Geral da USP e a ARQ-SP convidam

Palestras do Arquivo Geral da USP

Arquivo Histórico Wanda Svevo:

desafios para o tratamento de um arquivo de arte

com Ana Luiza de Oliveira Mattos

Conhecida como uma das mais importantes coleções de documentos sobre arte moderna e contemporânea na América Latina, o Arquivo Histórico Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo possui documentação produzida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, pela Fundação Bienal de São Paulo e por Francisco Matarazzo Sobrinho (Ciccillo), seu fundador, cobrindo um período de 1948 até o presente, nos mais diversos tipos de suporte. Desde suas origens, em 1955, sua trajetória revela não só os processos e rupturas pelos quais passaram essas instituições, mas também o tratamento dado a sua documentação. Tendo como premissas uma visão integrada do acervo e a aplicação de metodologias e padrões arquivísticos e museológicos em diferentes etapas do trabalho, está em andamento, desde 2014, um projeto para o tratamento da documentação e o desenvolvimento de novas ferramentas para gestão, preservação e acesso à documentação reunida no Arquivo Histórico Wanda Svevo. A palestra pretende apresentar os desafios enfrentados ao longo dessa história e o trabalho em desenvolvimento atualmente no Arquivo.

Sobre a palestrante: Graduada em Biblioteconomia pela Escola de Comunicações e Artes da USP (1986), possui mestrado profissional em Gestão da Informação Digital e do Conhecimento (FAAP, 2010) e especializações em Gestão de Bibliotecas (UDESC, 2005) e Gestão de Arquivos Públicos e Empresariais (UFSC, 2000). Atuou em bibliotecas e centros de informação em instituições educacionais e culturais como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da (1988-1990), Folha de São Paulo (1990-1995), British Council (2006-2011), Instituto Butantan (2011-2013), entre outras. Desde 2013 é coordenadora do Arquivo Histórico Wanda Svevo.

Quando: 9 de novembro de 2017, às 14 horas

Onde: Arquivo Geral da USP. Rua Francisco dos Santos, 107, Cidade Universitária, São Paulo – SP (travessa da Av. Prof. Lineu Prestes, altura do Instituto de Ciências Biomédicas ICB-4).

Quanto: grátis

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Será conferido certificado aos participantes

Vagas limitadas

Trabalhos aprovados – II Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas”

A ARQ-SP tem a satisfação de divulgar o resultado da avaliação dos resumos submetidos para o II Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas”.

Informamos aos autores que as cartas de aceite serão enviadas ao longo da semana, junto das normas que devem ser observadas para a redação dos textos completos (que devem ser entregues até o dia 1/12/2017).

Para ver a lista dos trabalhos aprovados, clique aqui

Agradecemos aos autores que enviaram seus resumos e esperamos encontrá-los em São Paulo!

Convocatória para envio de trabalhos

ANUÁRIO DA ESCOLA DE ARQUIVOLOGIA

Facultad de Filosofía y Humanidades – Universidad Nacional de Córdoba (Argentina)

Publicação impressa e digital

http://revistas.unc.edu.ar/index.php/anuario

ISSN 1843-3949

CONVOCATÓRIA PARA ENVIO DE TRABALHOS – CALL FOR PAPER 
NÚMERO 9 – ANO 2017

O coordenador do anuário da escola de Arquivologia convoca à apresentação de trabalhos para serem publicados em seu número 9.

 

Toda contribuição será avaliada formal e academicamente pelo sistema duplo-cego, e os estudos deverão contemplar alguma das seguintes seções do anuário:

 

 

  1. A) Artigos de investigação

Convoca-se à apresentação de questões diversas relativas ao campo da Arquivologia e suas diversas especialidades; como ciências afins. O requisito primordial é que sejam trabalhos inéditos e que respondam a debates atuais do campo.

Extensão: até 15 páginas, tamanho A4, espaço simples, fonte 12, letra Times New Roman; dentre as que ficarão quadros, gráficos, notas e bibliografia.

 

  1. B) Arquivos e fontes

A seção publica estudos descritivos de arquivos atuais ou do passado, que dêem conta da sua história; organização; riqueza patrimonial de seu/s fundo/s; condições nas que se encontra; e possibilidades de acesso e investigação. Também é factível a publicação de transcrições paleográficas de fontes de indiscutido valor, precedidas de estudos variados (arquivístios, paleográficos, hermenêuticos, históricos, metodológicos)

Extensão: até 10 páginas, e o resto das características iguais à seção A

 

  1. C) Resenhas bibliográficas

Poderão apresentar-se comentários de livros (individuais e coletivos) e atas de congressos dos últimos três anos (2013-2016), relativas ao campo arquivístico ou ciências afins (Diplomática, Paleografia, Codicologia, Conservação, Restauração, dentre outras), publicadas em suporte papel ou digital.

Extensão: até 4 páginas, e o resto das características iguais à seção A

 

  1. D) Mundo Arquivístico

Preferentemente informes de síntese das conclusões obtidas em simpósios, jornadas e congressos locais, nacionais e internacionais. Igualmente estudos sobre associações arquivísticas, estatutos profissionais, legislação e regulamentos arquivísticos.

Extensão: até 4 páginas, e o resto das características iguais à seção A.

 

Em todos os casos, receptar-se-ão só trabalhos originais e inéditos, em idioma espanhol, inglês, francês, italiano e português. Os trabalhos enviados devem respeitar as pautas de apresentação estabelecidas nas “Normas de publicação”; caso contrário, não serão considerados para sua avaliação e publicação. Os trabalhos recebidos serão considerados pelos membros do Comitê Editorial e pelos avaliadores internos e/ou externos para a sua avaliação.

 

As normas editoriais estão disponíveis no site:

https://revistas.unc.edu.ar/index.php/anuario/about/submissions#authorGuidelines

 

 

Os trabalhos devem ser enviados até 31 de dezembro de 2017 por endereço eletrônico a:

Coordenador: Dr. Silvano G. A. Benito Moya

Secretária: Lic. Carlota Maldonado

anuarioarchi@gmail.com

Submissões encerradas – II Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas”

O prazo de submissão de resumos para os painéis de comunicações livres do II Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas” se encerrou no último domingo, 1 de outubro.

Recebemos 34 trabalhos, que já foram encaminhadas aos integrantes da Comissão Avaliadora. Os pareceres deverão ser divulgados no dia 15 de outubro.

Agradecemos àqueles que submeteram seus trabalhos e esperamos encontrá-los em São Paulo, para dois dias de debate, troca de experiências e aprendizado!

Não fique de fora, confira a programação do evento e faça a sua inscrição. Esperamos por você!

Conheça o site do Encontro!

Legisladores brasileiros querem institucionalizar a “queima de arquivos”

Nos últimos meses, não se fala em outra coisa na comunidade arquivística nacional: os legisladores brasileiros querem institucionalizar a “queima de arquivos”. Por esse motivo, a Associação de Arquivistas de São Paulo, contrária à aprovação do Projeto de Lei Nº 7.920/2017, decidiu publicar em seu site a nota redigida e divulgada nas redes sociais, em julho p.p., por um de seus colaboradores, o atual diretor técnico do Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp) Humberto Celeste Innarelli, por acreditar que a mesma apresenta reflexões importantes sobre a questão.

Essa nota, ou manifesto pessoal, possibilitou ao JORNAL DA UNICAMP publicar em sua edição web, de 11 de agosto de 2017, duas matérias sobre o tema, cujos links encontram-se a seguir:

http://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/08/11/arquivistas-reagem-projeto-de-lei-que-preve-eliminacao-de-originais

http://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/08/11/sobre-o-pl-146-2007

 

A aprovação do atual texto do PL 7.920/2017 não afeta apenas a comunidade arquivística, mas os historiadores e toda a sociedade brasileira. É preciso conscientizar nossos legisladores sobre as graves consequências que a aprovação desse projeto de lei poderá causar à administração pública, às relações institucionais, à memória do país, apenas para citar algumas.

Tanto a nota abaixo publicada, quanto as matérias citadas apresentam, de maneira clara e objetiva, as razões pelas quais devemos lutar pela não aprovação do PL 7.920/2017, pelo menos com sua redação atual.

 

 

Nota sobre o Projeto de Lei Nº 7.920/2017

Uma visão pessoal relacionada à preservação dos documentos arquivísticos digitalizados

 

Desde quando comecei a pesquisar e trabalhar com documentos arquivísticos digitais no Sistema de Arquivos da UNICAMP (SIARQ/UNICAMP) em 1999 e atualmente trabalhando no projeto do AEL Digit@l do Arquivo Edgard Leuenroth (AEL/IFCH/UNICAMP), um dos meus pontos de maior reflexão foi a importância e a utilização das tecnologias de digitalização aplicadas aos documentos arquivísticos.

Durante este período – aproximadamente 19 anos – entendi que a digitalização é uma ferramenta fundamental para a arquivística no sentido de democratizar o acesso, melhorar os processos de gestão e garantir a preservação de documentos arquivísticos, ou seja, ela pode ser aplicada diretamente a todas as fases dos processos de gestão e preservação dos documentos arquivísticos com inúmeros benefícios. Entretanto, como qualquer outra tecnologia, ela deve ser utilizada com seriedade e maturidade, garantindo desta forma o rigor teórico e prático determinado pela arquivologia, pois os documentos arquivísticos não podem “sofrer” com o imediatismo e os “atropelos” que o avanço tecnológico impõe.

Antes de expressar minha opinião sobre o projeto de lei, abro um parêntese para esclarecer que entendo, reconheço e valorizo todas as questões históricas relacionadas aos documentos arquivísticos, porém não vou discuti-las por entender que estes assuntos são abordados por outros especialistas com muita propriedade. O principal objetivo desta nota é apresentar uma abordagem mais técnica e pouco discutida, que julgo crucial para a temática, a preservação dos documentos arquivísticos digitais – que inclui os digitalizados.

Não sou contra a aplicação dos processos de digitalização de substituição de documentos arquivísticos em fase intermediária considerados não permanentes em Tabelas de Temporalidade de Documentos (TTD) e de documentos arquivísticos em qualquer idade cujo suporte não suporta mais a informação registrada ou utiliza tecnologia completamente obsoleta, pois entendo que a digitalização pode ser realizada para estes fins com a adoção de processos, normas e regulamentos institucionais de forma responsável e que não implique em riscos ao funcionamento e à memória da instituição. Porém, sou contra a publicação de uma Lei Federal que autoriza a eliminação de documentos originais sem a mínima preocupação com a definição de políticas de preservação dos mesmos pelo tempo necessário, isso sem falar em outras questões – autenticidade, avaliação, temporalidade, terminologia, certificação digital, valor secundário, conceitos arquivísticos etc. – abordadas por estudiosos da área de documentação digital aplicada à arquivologia.

Lembro que os fragmentos de textos do projeto lei que abordam as questões relativas à “preservação” e “preservação de longo prazo” não são suficientes para garantir a preservação dos documentos arquivísticos digitalizados, pois esta missão é atribuída a política de preservação de documentos arquivísticos digitais adotada pela instituição e não aos sistemas informatizados, meios eletromagnéticos e suportes – mídias – de armazenamento. Ressalto também que não devemos “demonizar” o documento registrado em papel por ocuparem espaço, darem trabalho e custarem muito, não é ele o problema e sim a ausência de políticas de gestão e preservação de documentos arquivísticos nas instituições públicas.

A partir da reflexão do texto proposto e dos estudos que fiz sobre documentos arquivísticos digitais, afirmo que o projeto de lei não atende critérios fundamentais para que o documento arquivístico digitalizado seja preservado pelo tempo necessário, uma vez que o projeto em momento algum cita políticas de preservação de documentos arquivísticos digitais como base para substituição do original pelo digitalizado, algo fundamental num projeto que prevê a eliminação do original em papel. Ressalto que o documento arquivístico digital – incluindo o digitalizado – deve ser preservado “todos os dias” pelo tempo necessário desde sua produção, independentemente de ser ou não permanente, a partir de uma política de preservação de documentos arquivísticos digitais. Portanto, fica a pergunta: Como é possível substituir um documento arquivístico original de forma definitiva sem a garantia de preservação do documento digitalizado?

Em minha avaliação, se o projeto de lei for publicado com a redação proposta, será instituído em um futuro próximo o caos administrativo e arquivístico nas instituições públicas, pois o que me preocupa neste momento não é somente o valor secundário (histórico e pesquisa) dos documentos arquivísticos digitalizados, mas também o funcionamento das instituições em um cenário de colapso – falha, descontinuidade, obsolescência etc. – dos sistemas informatizados. Neste caso, a falta de: políticas de preservação de documentos arquivísticos digitais; investimentos contínuos em recursos tecnológicos; e entendimento sobre a responsabilidade do arquivista como gestor e preservador dos documentos arquivísticos digitais, impõem sérios riscos aos sistemas informatizados e aos próprios documentos arquivísticos digitais, permitindo que fiquem obsoletos e sem prioridade na gestão pública, assim como aconteceu com os documentos arquivísticos em papel. Lembro que no “mundo digital” – quando não há políticas de gestão e preservação – o documento arquivístico digital pode ser perdido com a mesma facilidade que é produzido.

Considerando o contexto apresentado e a visão excessivamente legalista, burocrática e financeira adotada como fundamentação para publicação de tal legislação, gostaria de alertar a comunidade arquivística, as instituições públicas, as instituições de memória e a comunidade em geral sobre risco que corremos com a publicação desta lei.

Aproveito a nota para apresentar outras considerações que julgo fundamentais para discussão da Lei, são elas:

  • Utilização obrigatória de RDC-Arq para o arquivamento digital dos documentos arquivísticos digitalizados;
  • Aplicação dos Planos de Classificação de Documentos (PCD) e TTD nos documentos arquivísticos digitalizados da mesma forma que os documentos originais;
  • Estabelecimento de processos, normas e regulamentos de digitalização de documentos arquivísticos que garantam que o resultado do processo de digitalização e os metadados sejam confiáveis – visando a atribuição da presunção de autenticidade ao documento digitalizado;
  • Entendimento de que as instituições arquivísticas – baseadas em fé pública, processos, normas e regulamentos – poderão atribuir a presunção de autenticidade dos documentos arquivísticos digitalizados;
  • Tratamento dos documentos arquivísticos digitalizados da mesma forma que os natos digitais;
  • Entendimento que em hipótese alguma deve-se permitir a eliminação de documentos arquivísticos permanentes ou que em sua classificação sejam considerados permanentes.

Por esta nota, registro minha discordância ao projeto apresentado pelo Legislativo Federal sobre a digitalização e arquivamento de documentos em mídia ótica ou eletrônica, o PL Nº 7.920/2017, e sugiro que o projeto seja totalmente rediscutido com especialistas e instituições representativas das áreas de arquivologia e humanidades para que os problemas sejam sanados ou minimizados.

Campinas, 19 de julho de 2017.

Humberto Celeste Innarelli

Diretor Técnico Arquivo Edgard Leuenroth – AEL/IFCH/UNICAMP

Professor Associado Faculdade de Tecnologia de Americana – FATEC-AM/CEETEPS

Membro Correspondente Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos – CTDE/CONARQ

Doutor em Ciência da Informação Escola de Comunicação e Artes – ECA/USP

Pesquisador da temática sobre preservação de documentos arquivísticos digitais Desde 1999 – UNICAMP/USP/CONARQ/APE-SP

 

 

ALTERAÇÃO DA DATA DA OFICINA “SOLUÇÕES DE ACONDICIONAMENTO PARA DOCUMENTOS DE ARQUIVO”

Em virtude da notícia da convocação de uma “greve geral” prevista para o dia 28 de abril, que poderá acarretar a paralisação de alguns serviços públicos, inclusive os de transporte, informamos que a oficina “Soluções de acondicionamento para documentos de arquivo”, programada para os dias 27 e 28 de abril, será realizada nos dias 4 e 5 de maio, no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

As inscrições para esta atividade continuam abertas e podem ser realizadas pelo site da ARQ-SP até o dia 1º de maio. Para mais informações sobre o curso, clique aqui.

A Comissão de Cursos da ARQ-SP pede desculpas aos inscritos pelo inconveniente, causado por motivos alheios à nossa vontade, e se coloca à disposição para esclarecimentos por e-mail cursos@arqsp.org.br ou pelo telefone (11) 3091-3795.

  • Associação de Arquivistas de São Paulo
    ARQ-SP
  • Av. Prof. Lineu Prestes, 338 - Térreo Sala N
    CEP: 05508-000 - São Paulo - SP
  • Telefone / Fax: (11) 3091-3795
    Email: contato@arqsp.org.br