Convite_PalestraAgosto

[Palestra] Arquivo e ditadura

O Arquivo Geral da USP e a Associação de Arquivistas de São Paulo convidam

Palestras do Arquivo Geral

ARQUIVO E DITADURA

O QUE SABEMOS HOJE SOBRE O ARQUIVO DO DEOPS-SP

Marcelo Thadeu Quintanilha Martins

De 2013 pra cá, o Arquivo Público do Estado tem se dedicado a organizar e descrever o seu acervo, e tem nesse processo compreendido melhor o acervo do DEOPS-SP. Sob o olhar de um arquivista, traçamos um breve histórico da formação e do recolhimento do acervo do DEOPS-SP, dos trabalhos realizados com auxílio da USP até as últimas descobertas sobre a sua ordem original, procurando mostrar como o conhecimento arquivístico pode contribuir com a pesquisa do seu conteúdo.

AS RELAÇÕES DA USP E OS ÓRGÃOS DE SEGURANÇA DURANTE A DITADURA CIVIL-MILITAR

 (Reconstituindo um arquivo: os documentos da Assessoria Especial de Segurança e Informações da Universidade de São Paulo, 1972-1982)

 Márcia Bassetto Paes

Resultado de velha prática administrativa, os arquivos de instituições públicas ou privadas conservam os originais da correspondência recebida e as cópias da correspondência expedida. De 1972 a 1982, em plena vigência da ditadura militar no Brasil, funcionou na Universidade de São Paulo um organismo denominado Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI), destinado a exercer atividades de controle político e ideológico junto à Reitoria. A AESI-USP, portanto, está presente nos arquivos das entidades com as quais se relacionou na condição de remetente ou de destinatária. Uma delas, e a principal fonte de pesquisa, é o Departamento Estadual de Ordem Política e Social, o DEOPS, cujos arquivos estão sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo. O propósito da palestra será dar um panorama do que foi este organismo de controle e como está sendo o processo de reconstituição do arquivo; bem como refletir sobre a importância de recolocar estes documentos em seu lugar de origem, isto é, a Universidade de São Paulo.

Sobre os palestrantes: 

Marcelo Thadeu Quintanilha Martins é graduado em História pela USP e em Comunicação Social pela ESPM. Possui especialização em História pela PUC-SP e em Arquivologia pela ARQ-SP. É doutor em História Social pela USP e trabalha como diretor do Centro de Acervo Permanente do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Foi coordenador do “Curso de Difusão em Arquivologia – Módulo II: Arquivos Permanentes: teoria e prática”, no Arquivo Público do Estado em parceria com a USP/Leste. É autor de livros e artigos na área de História e de Arquivologia.

Márcia Bassetto Paes é jornalista e cursou Letras e História na USP. Atualmente, é doutoranda em História Social na mesma universidade, pesquisando as relações ente a ditadura civil-militar e as universidades públicas brasileiras (1964 – 1985), com ênfase na Assessoria Especial de Segurança e Informação da Universidade de São Paulo. Participou como relatora da Comissão da Verdade da USP. Atua, desde 1976, em movimentos sociais e feministas.

Quando? 30 de agosto de 2018, às 14 horas

Onde? Arquivo Geral da USP. Rua Francisco dos Santos, 107, Cidade Universitária, São Paulo – SP (Veja o mapa)

Quanto? Grátis!

Para fazer sua inscrição, clique aqui.

Vaga aberta para Técnico em digitalização

Cargo: Técnico em digitalização.
Formação: Ensino Médio completo ou superior em Audiovisual ou Tecnologia da Informação.
Atribuições: digitalização do acervo do museu; realização de reproduções de acervo; atualização de suportes; armazenamento digital de dados; gerenciamento eletrônico de documentos.
Perfil: boa comunicação; boa redação; responsabilidade; trabalho em equipe; interesse pelas áreas da Ciência da Informação.
Necessário: bons conhecimentos de programas para edição de áudio e vídeo. Experiência com mídias analógicas.
Modalidade: CLT  efetivo.
Benefícios:  VA / VR / VT / SV / AM e AO (opcional).
E-mail para envio de currículos:  recrutamento@mis-sp.org.br  –  Assunto: Técnico em digitalização.
Processo seletivo:
  A  seleção será feita por meio de análise de currículos e entrevista a ser agendada com a coordenação e diretoria.

Reitoria da Unicamp anuncia remanejamento de bibliotecário para Centro de Memória

Após intensa mobilização da sociedade em apoio à Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa, atendimento ao público será retomado parcialmente na próxima segunda-feira (30).

Após reunião realizada entre a direção do Centro de Memória – Unicamp e a Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), foi apresentada uma solução para viabilizar a reabertura da Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa, que suspendeu o atendimento ao público na última segunda feira (23) por conta da aposentadoria das duas bibliotecárias que vinham se revezando nas atividades do setor.

A Administração Central da Universidade informou que irá realizar o deslocamento de um bibliotecário vinculado à Biblioteca Central para trabalhar meio período junto ao acervo bibliográfico do Centro de Memória. Segundo a Reitoria, o servidor assumirá a função a partir da próxima segunda-feira (30), inicialmente no período da tarde.

Apesar de não ser uma solução definitiva para a Biblioteca do CMU, a coordenadora associada da Biblioteca Central, Valéria Martins, explicou que o bibliotecário dará expediente inicialmente à tarde, por ser o período de maior procura pelo acervo. “Entretanto, nós vamos avaliar se esse realmente é o melhor horário, de acordo com o movimento. Se for preciso, nós faremos ajustes, de modo a prestar o melhor atendimento possível ao público”, afirmou em notícia publicada no Portal Unicamp.

Mobilização

Após a divulgação da suspensão do atendimento ao público na Biblioteca, o Centro de Memória recebeu diversas manifestações de apoio e solidariedade de pesquisadores, representantes políticos, entidades e associações da área.

Na Unicamp, os docentes do Departamento de História, o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL) e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalio (CEDAE) publicaram notas solicitando a reabertura da Biblioteca. Também se manifestaram no mesmo sentido a Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP) e a Associação Nacional de História – Seção São Paulo (ANPUH-SP), bem como o Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo – 8ª Região (CRB-8), que enviou fiscal da entidade para acompanhar o caso.

Na Câmara de Campinas, uma moção de apelo à reitoria foi proposta pelo vereador Elias Azevedo (PSB), enquanto na Câmara de Vinhedo propositura de igual teor foi protocolada pelo vereador Rodrigo Paixão (REDE). Já o abaixo-assinado pela reabertura da Biblioteca do CMU, lançado no início desta semana, colheu mais de 1.600 assinaturas.

A direção do CMU considera que a mobilização da sociedade foi fundamental para a solução apresentada, agradece os apoios e manifestações de solidariedade recebidos, e informa que seguirá negociando com a Administração Central formas para solução definitiva dos problemas relacionados à reposição do quadro funcional do órgão.

 

Fonte: CMUinforma, 26/07/2018.

Nota do Departamento de História da Unicamp sobre o fechamento da Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa, do Centro de Memória (CMU)

Diante da notícia de fechamento da Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa, do Centro de Memória da Unicamp (CMU), o Departamento de História destaca:

 1)      A Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa é uma das mais importantes do país dedicada à história do Brasil e, particularmente, à história de Campinas e região. Seu acervo já serviu de base para a produção de inúmeras dissertações, teses e livros (sendo vários deles premiados) em diversas áreas de conhecimento, com especial destaque para o campo das ciências humanas. O fechamento da biblioteca provocará enorme prejuízo para as pesquisas atualmente em desenvolvimento que utilizam o seu acervo e ainda comprometerá futuros trabalhos. Trata-se, portanto, de perda inestimável para a pesquisa de ponta no país.

 2)      Além de servir à comunidade acadêmica devido à alta qualidade de seu acervo, a Biblioteca do CMU presta também enorme serviço à sociedade em geral ao se tornar referência de pesquisa para jornalistas, sociedades profissionais, estudantes da educação básica e outros que buscam informações sobre a cidade de Campinas e região. Além de seu grandioso acervo bibliográfico (86 mil volumes catalogados), incluindo obras raras do século XVIII e XIX, a biblioteca guarda ainda jornais e revistas dos séculos XIX e XX, uma mapoteca com plantas de Campinas e região, partituras do Projeto Carlos Gomes e outros milhares de recortes de jornais e revistas diversos. Seu fechamento, nesse sentido, é um duro golpe no contínuo e necessário processo de desenvolvimento cultural e educacional de nossa sociedade.

 3)      O acervo da Biblioteca Prof. José Roberto do Amaral Lapa é parte integrante do conjunto documental que constitui o Centro de Memória da Unicamp. Trata-se de uma coleção formada ao longo de décadas em perfeita coerência e harmonia com o restante das coleções documentais do CMU. O eventual desmembramento da biblioteca do arquivo histórico ao qual ela está ligada atualmente ou mesmo a distribuição do seu acervo para outras instituições não apenas irá descaracterizar o conjunto da coleção como ainda ampliará grandemente o risco de perdas de material do acervo como frequentemente ocorre em tais situações. Outrossim, para a área de ciências humanas o desmembramento de coleções bibliográficas particulares representa enorme prejuízo para o estudo das influências intelectuais de pesquisadores de renome que tiveram seus a acervos doados para a biblioteca do CMU (a exemplo dos seus fundadores João Falchi Trinca e José Roberto do Amaral Lapa).

 4)      Diante do exposto, lamentamos que a importância da Biblioteca do CMU seja medida pela frequência de visitantes ao seu acervo como destaca a nota oficial da reitoria da Unicamp sobre o caso em 19 de julho de 2018. Não temos dúvida do valor inestimável do acervo da Biblioteca do CMU para a nossa sociedade e para as gerações futuras. Trata-se de local privilegiado para a pesquisa em ciências humanas que têm nas bibliotecas o seu laboratório de trabalho – representando a biblioteca do CMU um laboratório de ponta em nossa área. Reconhecida a importância das bibliotecas para as ciências humanas, nos causa estranheza a associação entre a distribuição de verbas na universidade e o número de frequentadores em tal local (o que seria um critério impensável para laboratórios de outras áreas do conhecimento, como as das ciências biológicas e exatas). Por fim, destacamos que o CMU é também um local de memória da cidade de Campinas e da própria fundação e trajetória da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Legado que diante da atual situação corre sério risco de se perder.

 Desde já nos colocamos à disposição para colaborar com a Unicamp no que for necessário para a manutenção da Biblioteca do CMU nos moldes como se constituiu até os dias de hoje.

Departamento de História da Unicamp.

23 de Julho de 2018

Edital de Seleção

A CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES está selecionando jovem para o Centro de Documentação e Memória Sindical/CEDOC, para início imediato no programa de aprendizagem Jovem Aprendiz, com o seguinte perfil:

  1. Perfil do candidato(a): Jovem Aprendiz
  2. Formação: Estudante do curso Técnico em Biblioteconomia, Técnico de Arquivo, História.
  3. Jornada de trabalho: 30hs.
  4. Local de Trabalho: CUT Nacional, Rua Caetano Pinto, 575. Brás
  5. Benefícios concedidos:
  • Assistência Médica;
  • Assistência odontológica;
  • Vale Refeição;
  • Vale Alimentação;
  • Vale Transporte.

Os(as) interessados(as) deverão enviar currículo pelo e-mail: rdp@cut.org.br ou entregar diretamente para o RH na sede da CUT em São Paulo.

São Paulo, julho de 2018.

 

MOÇÃO DE REPÚDIO

O panorama sombrio – que, aliás, já tivemos oportunidade de caracterizar a propósito da negligência com que têm sido tratados os organismos de custódia e pesquisa no Brasil – atinge agora a Universidade de Campinas. Ante a iminência de fechamento da biblioteca do Centro de Memória da UNICAMP (CMU) por falta de funcionários, a Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP) e a Associação Nacional de História – Seção São Paulo (ANPUH-SP) manifestam sua solidariedade à diretora demissionária e repudiam toda e qualquer medida que possa tolher o cumprimento da missão institucional deste Centro, responsável pelo acervo mais completo de obras e documentos relacionados com a história de Campinas.

 

São Paulo, 19 de julho de 2018.

Ana Célia Navarro de Andrade

Presidente da ARQ-SP

Circe Maria Fernandes Bittencourt

Presidente da ANPUH-SP

 

  • Associação de Arquivistas de São Paulo
    ARQ-SP
  • Av. Prof. Lineu Prestes, 338 - Térreo Sala N
    CEP: 05508-000 - São Paulo - SP
  • Telefone / Fax: (11) 3091-3795
    Email: contato@arqsp.org.br